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Vinícius

Vinícius
Cantou o amor, encantou nossos sonhos. Homenagens, singelos agradecimentos.
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sábado, 9 de maio de 2009

Espaçonave Mental

Existe?
Sei lá se existe. E o que isso tem a ver?
A minha reclamação não procede e nem a de ninguém pelo fato de existir ou não, e talvez saber ou não da existência não signifique nada.
A Terra tem algolhões de coisas para fazer, tem sempre alguma coisa para ser comentada.
Chega de rodeio. O fato é que num desses domingos da vida passava o jogo e eu todo empolgado até os vinte minutos do primeiro tempo, comecei a pensar o porquê de eu estar torcendo e vibrando com onze homens de cada lado. Inicialmente eu me empolguei, claro! O problema é que depois entrei numa crise ferrenha, tentando compreender o motivo de uma bola fazer tanta confusão. Confusão digo, porque teve briga por todos os lados e até na torcida.
Um composto circular - não digo perfeito - de algum material que não especificamente qual, faz muita gente suar, reclamar, viver e até galgar um preparo físico inigualável em função de uma criação que supostamente é natural da vida, e se você não se perguntar o porquê, acaba aceitando e morre sem saber do que se trata.
Foi cruel, antes do final do primeiro tempo eu já estava em crise e com o sistema nervoso alternado, procurando respostas no meu cérebro. Mas quem disse que os neurônios funcionavam? Melhor deixar pra lá, isso não vai mudar nada. Preferi desligar e fechar os olhos, passei a tarde de olhos fechados até melhorar. E depois de mais meia hora me perguntei: O que eles estão fazendo? Qual a necessidade disso? Machado de Assis não é muito mais fundamental para uma mente humana? Bem, acabei vendo outro jogo depois de tudo.
Mas ainda não foi o fim dessa viagem à estratosfera cabeçal. Levantei para pegar o controle da televisão e a pilha não funcionava. Isso me irritou completamente. A pilha é a fonte de vida da vida que não existe sem pilha. Como um controle vai funcionar sem ela? Irritante né? Pois é, isso é completamente destruidor, fico neurótico.
Não posso acreditar nunca num controle e nem numa tv e nem num rádio e nem em nada de alta tecnologia porque simplesmente a pilha tem prazo de validade. Tudo tem prazo de validade, mas a pilha é a fonte da existência dessas coisinhas inventadas pelo hominis.
Aí de repente meu cérebro me diz de algum lugar de dentro dele que a pilha não é a fonte da vida das coisinhas, porque a energia é. Basta pagar em dia que o negócio funciona e tem energia suficiente da natureza pra gente gastar e nem precisa de pilha para fazer funcionar, basta ligar. Contudo o que meu cérebro não atentou, é que a pilha é que muda o canal, porque justamente o botão que faz isso está quebrado. Desta vez eu tive certeza de estar certo, realmente eu pude questionar a pilha neste contexto porque ela era a protagonista dessa celeuma de loucuras modernas.
Logo após, pensei que não era necessário ser somente a tv e os eletrodomésticos. Ora, podia ser um videogame pequeno, desses que a gente pede pela AVON, que precisasse unicamente de pilha. Mas meu cérebro já não queria discutir isso e me propunha à mente que desfrutasse doutros pensamentos, a me deixar questionar sozinho e nem discutiu mais a moral da coisa. Papo encerrado!
Por pouco tempo, pois pra mim, após reflexões, pode não ser a fonte da vida dessas coisinhas que se mexem inanimadamente, mas são a razão de essas coisinhas se mexerem. E essa eu ganhei!
E ganhei porque compreendi e guardei na memória a resposta para quem perguntar: As pilhas são a razão do mexe-remexe e alternância de canais, e ainda por cima são autosuficientes. Ou seja, vivem indepentes. O problema é que elas não duram o suficiente para fazer mais que o necessário.

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Porque eu sou reflexo do que eu vejo, mas principalmente do que eu não lembro e acho que sei.